O Exército usou a passagem de comando nesta terça-feira (7) para tentar demonstrar internamente que a coesão e o espírito de corpo do generalato não foram afetados, apesar do princípio de crise iniciado com a demissão do general Júlio César de Arruda e as críticas que o Alto Comando da Força tem recebido pela relação dos militares com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O sinal foi repassado durante a passagem de comando do Exército, cerimônia em que Arruda repassou simbolicamente a chefia da Força Terrestre ao general Tomás Paiva —escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para mudar as orientações aos militares e punir aqueles que participaram dos ataques de 8 de janeiro.
Além de todo o Alto Comando do Exército, participaram da cerimônia ex-comandantes e generais da reserva, como Villas Bôas e Hamilton Mourão, eleito senador pelo Republicanos do Rio Grande do Sul.
O ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira também participou da cerimônia, em sua primeira participação em eventos oficiais do Exército após a condução considerada por generais como errática na fiscalização das Forças Armadas no processo eleitoral.
No evento, a invasão às sedes dos três Poderes e a forma como o Exército conduziu os acampamentos golpistas em frente aos quartéis-generais não foram citadas nos discursos, segundo relatos de quatro generais consultados pela Folha.
Uma das principais dúvidas no governo seria o tom que Arruda daria em seu discurso. Após sua demissão, em janeiro, o general convocou uma reunião extraordinária do Alto Comando do Exército —ação entendida entre assessores palacianos como uma tentativa de Arruda de buscar apoio entre os pares, além de embutir uma ameaça velada.