As eleições de 2026 entram em uma de suas fases mais importantes, com o início das convenções partidárias. Até 5 de agosto, partidos e federações deverão definir oficialmente seus candidatos aos cargos eletivos. Em seguida, as legendas terão até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. Somente após essa etapa os pré-candidatos passam a ser, juridicamente, candidatos.
Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins, as convenções representam muito mais do que um rito interno dos partidos.
“As convenções partidárias não são uma mera formalidade. É nesse momento que os partidos exercem sua autonomia para escolher, de forma democrática e transparente, quem irá representá-los nas eleições. Trata-se de uma etapa indispensável para conferir legitimidade ao processo eleitoral e assegurar o cumprimento da legislação.”
As convenções reúnem dirigentes, delegados e filiados habilitados conforme o estatuto de cada legenda. Além da escolha dos candidatos, os partidos deliberam sobre questões administrativas e estratégias para a campanha.
Apesar da intensa movimentação política dos últimos meses, Newton Lins lembra que, do ponto de vista jurídico, os nomes colocados em disputa ainda são pré-candidatos.
“Muitas pessoas utilizam a expressão ‘candidato’ de forma antecipada. Juridicamente, porém, essa condição só existe após a escolha em convenção e a apresentação do pedido de registro à Justiça Eleitoral. Até lá, o pré-candidato continua sujeito às regras específicas da pré-campanha.”
Após as convenções, os partidos deverão protocolar os pedidos de registro até 15 de agosto. Nessa fase, será necessário apresentar toda a documentação exigida pela Justiça Eleitoral, incluindo certidões, documentos pessoais e a comprovação das condições de elegibilidade.
Para Newton Lins, a organização antecipada é fundamental para evitar contratempos.
“O registro exige atenção aos detalhes. Um documento incompleto ou uma informação incorreta pode gerar diligências, atrasar a análise do processo e, em situações mais graves, comprometer o próprio registro da candidatura.”
O especialista afirma que um dos erros mais frequentes é deixar a preparação documental para os últimos dias do prazo.
“O calendário eleitoral é rigoroso justamente para garantir igualdade entre os concorrentes e segurança jurídica ao processo. Quando um partido perde um prazo ou deixa de cumprir uma exigência legal, pode colocar em risco toda a candidatura. Planejamento é indispensável.”
Depois de protocolado o pedido, caberá à Justiça Eleitoral verificar se todos os requisitos legais foram atendidos. Somente após essa fase o candidato passa a exercer plenamente os direitos previstos na legislação eleitoral.
“O registro altera a situação jurídica do pré-candidato. A partir desse momento, ele passa a integrar oficialmente o processo eleitoral, assume deveres específicos e pode praticar os atos de campanha dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.”
Newton Lins também alerta que a proximidade do início da campanha não autoriza o descumprimento das normas eleitorais.
“A ansiedade pelo início da campanha não pode levar à prática de irregularidades. A propaganda eleitoral possui regras e datas bem definidas. O respeito ao calendário evita questionamentos judiciais e fortalece a lisura do processo eleitoral.”
Calendário das Eleições 2026
- Convenções partidárias: 20 de julho a 5 de agosto.
- Registro das candidaturas: até 15 de agosto.
- Início da propaganda eleitoral: 16 de agosto.
- Primeiro turno: 4 de outubro.
- Segundo turno (quando houver): 25 de outubro.