A perseguição relatada por Sebastião Neto começou antes da atual administração assumir. Segundo ele, ao dizer ao então candidato que, por gratidão, votaria no prefeito que ocupava o cargo, passou a ser tratado como adversário.
O caso não é isolado. Em Piranhas, quem demonstra independência é tratado como adversário e sofre retaliações.
Servidores têm até horário determinado para publicar nas redes sociais materiais dos candidatos apoiados pelo prefeito, inclusive durante o expediente. Não é apoio espontâneo, mas obediência imposta. São transformados em instrumentos eleitorais do grupo no poder.
A imprensa independente também foi pressionada. Este editor foi questionado por uma fotografia com o ex-gestor, com quem mantinha apenas amizade, sem vínculo político ou administrativo. Tentaram determinar até com quem um jornalista poderia aparecer. O O+Positivo rejeitou a interferência e dispensou os contratos com a Prefeitura.
A relação entre a administração e os veículos contratados está no Portal da Transparência. Basta comparar quanto recebem com o conteúdo publicado. Em vez de fiscalizarem o poder, silenciam diante dos problemas e promovem o prefeito. Algumas contratações mensais exigem explicações sobre critérios, valores, escolha dos prestadores e possíveis conflitos de interesses entre servidores e contratados.
A Rádio Satélite FM é o exemplo mais evidente. Patrimônio da comunidade piranhense, perdeu sua finalidade como voz comunitária. Deixou de ouvir a cidade e questionar o poder para promover o prefeito como assessoria da administração.
Publicidade institucional não pode comprar silêncio, apoio ou obediência. Imprensa existe para fiscalizar o poder, não para servi-lo.
A saída de Sebastião Neto tornou mais visível essa prática. Quando uma administração exige fidelidade pessoal, pune a independência e utiliza empregos públicos e contratos como instrumentos de pressão política, o problema deixa de pertencer apenas às vítimas.
Passa a ser de toda a sociedade.
João Santana
Cidadão piranhense, historiador, publicitário, bacharel em Direito e editor do Jornal O+Positivo